Wednesday, December 16, 2009

O tempo e seus efeitos




(Picture by Salvador Dali)


Qual é o valor do tempo sobre as nossas vidas?
Como podemos avaliar seu impacto e proporção?

As vezes gostaria que o tempo parasse e congelasse para sempre certos momentos.
Mas ele não pára.
Impiedoso ou não, continua.
Deixando somente as suas marcas.
Memórias que não voltam e que vivem apenas em minha mente.
E então ele continua, segue seu rumo.
Preciso acompanhar, me adaptar ou me atropela.
Com ele vêem as mudanças e muita bagunça,
algo que somente o próprio tempo poderá se encarregar de organizar.

O tempo sara, o tempo consola, o tempo amadurece.
Mas o tempo também pode separar, machucar, esfriar...

Quem deu ao tempo esse poder?
Como ele pode se manifestar deste jeito sem expressar nenhuma palavra?

Se o tempo fosse uma pessoa, ele talvez seria algum velho sábio chines.
Devagar para quem tem pressa e complicado para quem não entende.

E como o entender?
Se hoje vivemos em um mundo que no passado era “jovem e primitivo”,
mas que hoje é “velho e moderno”.

Nosso ser, o humano, perdido em meio a tecnologia,
tentando conciliar homem/máquina, tempo/espaço.

Aisten ensinou sobre a teoria da relatividade
Albert Camus dizia: “somos resultado das nossas escolhas”.

Relativo ou não, conciliável ou não.
Nós somos o que somos.
Reflexos das nossas decisões.
Damos ao tempo o valor que quisermos e entendemos aquilo que queremos.
Temos o poder e não sabemos!

Wednesday, November 4, 2009

Experienciando

Eu costumava escrever, mas como tudo mudou tão repentinamente foi difícil a adaptação a nova rotina. Aliás, é difícil se adaptar a uma “rotina em constante mudança”. O pior é que acabei por virar assassina da língua portuguesa, o que já aconteceu no passado relacionado a acentos e pontuações. E agora para melhorar a minha situação o português sofreu alterações na escrita este ano. Bom, deixa eu tentar me defender. Estou morando a quase três anos fora do Brasil (será que isto quer dizer que também virei assassina do inglês?!) e o fato de morar em um lugar onde a comunidade brasileira é bastante expressiva contribuiu para a mistura de duas línguas em uma, muitas vezes criando até novas palavras como “gondo”. Nada intencional, aliás, totalmente espontâneo, ou até pode se dizer “trágico-espontâneo” – meus amigos dizem que este é o meu próprio idioma, o chamado: Kricanês! – Junção de “going” + “indo” = GONDO. Simplesmente HORRIVEL, mas o que aqui acontece. Principalmente se você é meio camaleão, ou camaleoa, como eu.
O que quero tentar fazer aqui é compartilhar um pouco do que vivi e aprendi fora do Brasil. Será um pouco de mim, do que fui, do que sou e ainda virei a ser, já que estamos sempre em constante mudança e o que permanece é a essência. Tudo regado com uma pitada de humor e outras vezes nem tanto. Para mim escrever é como se fosse um mapa. Conforme surgem os acontecimentos vou tentando “desenhar o caminho”. Também quero postar alguns textos antigos, mas por mais que já tenham sido lidos, sempre poderá ser a primeira vez para alguém. Então, sem mais “delongas longas” quero deixar com você o texto que deu nome ao título do blog: “Barcos da Vida” (escrito em julho de 2006). Espero que gostem! ;)

:::Barcos da Vida:::

É engraçado como a vida dá voltas. Por vezes pensamos que determinadas coisas nunca irão mudar, ou seja, que serão para sempre, pra vida toda, e de repente quando nos damos por conta a situação mudou, não é mais a mesma e nada é como havia sido antes. Não que tenha acontecido algo necessariamente, apenas o vento mudou de direção e o barco da nossa vida toma um rumo diferente. Começamos a navegar ao lado de outros barcos. Alguns, nunca haviam cruzado as mesmas águas, outros já são velhos conhecidos mas estavam navegando em outros mares. E aqueles barcos que navegaram anos conosco, de repente, já não estão mais ao nosso lado. Tudo muda conforme o vento e a posição das velas. Cada um tem o seu percurso a seguir. Pessoas entram e saem das nossas vidas, algumas permanecem por um bom tempo ao nosso lado, outras por breves momentos, e existem aquelas que sempre estavam por perto mesmo que fisicamente longe. O importante é aproveitar o momento e saber que um dia haverá o tempo de partir. Mas, as lições aprendidas, os medos compartilhados, as experiências vividas, jamais serão esquecidas e quem sabe, ao longo do caminho os barcos se cruzem novamente. Pois nunca saberemos para onde o vento irá soprar.